sexta-feira, 27 de maio de 2011

UM TEATRO QUE NÃO MOSTRA, MAS FAZ VER.

“Assegura-te de haver esgotado tudo o que 
se comunica através do silêncio e da imobilidade”. 

 “O que está destinado ao olho, não deve 
 repetir o que se destina ao ouvido. Não se pode 
ser, ao mesmo tempo, todo olhos e todo ouvidos”.



Robert Bresson
 
 A máxima que diz que “uma imagem vale mais do que mil palavras” impregnou-se de maneira excessiva nos meios de comunicação e nas artes, principalmente a televisão e o cinema.
  Em nosso país, onde a televisão tem uma imensa capacidade de penetração no imaginário coletivo, essa máxima acabou sendo levada também ao teatro.
  Em decorrência disso, o teatro passou a lançar mão de quantidades tais de recursos imagéticos que o seu principio fundamental, qual seja, o encontro entre um ser humano (o ator) e outro (o público) foi relegado a um segundo plano.
  Nosso propósito é fazer a esse homem, que de tão atônito diante do excesso de informação, ver-se incapaz de eleger as que lhe pareçam fundamentais a uma compreensão mais profunda de si mesmo e da realidade que o cerca, um convite à contemplação, à introspecção, a reflexão...
  O percurso por este caminho, só pode se dar através do silêncio, da delicadeza, da simplicidade, da contenç
ão e do equilíbrio. Neste processo, o trabalho do ator é fundamental.
  Não cabe somente à encenação lançar mão deste minimalismo. È o ator que, reduzindo ao mínimo o uso de movimentos (corporais e faciais) e, principalmente, o uso de paroxismos, concentra em si mesmo toda a atenção do espectador, através da atração que exerce a partir do rico e complexo universo criado em torno de seu personagem, constituído, principalmente, por um acurado cuidado com a palavra e pela opção técnica e estética que consiste em provocar a curiosidade do público, fazendo-o adivinhar o todo, quando só lhe é oferecida uma parte.
  Em se tratando de Harold Pinter, autor cujo trabalho possui um vasto e rico conteúdo inconsciente, esta nos parece ser a opção que melhor se presta a fazer emergir a miríade de símbolos presentes em sua obra.
O teatro minimalista na representação.

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